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Minimoog Voyager - Aspectos Analógicos

Discussão em 'Sintetizadores' iniciado por Cidrack, 30/9/15.

  1. Cidrack

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    Segue Tutorial do caro @Renato Moog.

    Os próximos 5 posts são de sua autoria.

    Obrigado @Renato Moog pelo trabalho tão bem realizado.

     
    #1 Cidrack, 30/9/15
    Última edição: 8/10/15
  2. Cidrack

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    MINIMOOG VOYAGER: aspectos analógicos - parte I - http://www.renatomoog.com/#!MINIMOO...F3gicos-parte-I/c2w6/560d3fdf0cf2f0ed7a2af96a

    Renato Moog

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    O Minimoog D é o primeiro sintetizador portátil do mundo, desenvolvido por Bill Hemsath e Robert Moog, e foi lançado em 1970 pela R.A. Moog Inc. O Minimoog tornou-se um sintetizador monofônico muito popular, e vendeu aproximadamente 13 mil unidades entre os anos de 1971 e 1982. Antes da invenção do minimoog, os sintetizadores modulares eram muito grandes e pouco práticos, além de extremamente custosos. O Minimoog foi o primeiro sintetizador portátil de sucesso, disponibilizando ao operador controles em tempo real para ser levado ao palco; além disso, serviu como base para o desenvolvimento dos teclados posteriores.

    Rick Wakeman disse certa vez: "for the first time you could go on [stage] and give the guitarist a run for his money...a guitarist would say, 'Oh shoot, he's got a Minimoog', so they're looking for eleven on their volume control - it's the only way they can compete". Completou: "absolutely changed the face of music."

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    O Minimoog Voyager, projetado e lançado por Bob Moog em 2002, é versão moderna do Minimoog D, com inovações tecnológicas de sua era. É fabricado artesanalmente, e cada modelo consagra o estilo inconfundível do painel de controle escamoteável e seus knobs vintages, proporcionando enorme gama sonora, destacando-se seus timbres pesados e fortes.

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    O minimoog voyager é "sintetizador analógico", porque gera sons utilizando circuitos analógicos. Os circuitos digitais do seu interior não estão envolvidos na geração do som, mas sim, principalmente, no plano de gravação dos parâmetros pré-configurados (patches).

    O voyager está equipado com teclado de 44 notas (3 1/2 oitavas, de F para C), assim como o Minimoog original. Ao contrário do original, no entanto, tem possibilidade de transposição de oitavas (acessado por duplo toque no botão edit), garantindo range ou extensão de 7 1/2 oitavas. O Voyager transmite mensagens MIDI "Note On" e "Note Off" polifônicas, além de teclado sensível ao toque, e, inclusive, aftertouch, outras inovações em relação ao clássico minimoog.

    Localizado à esquerda do teclado, o Painel de Controle contém as rodas Pitch Bend (curva de afinação) e Mod Wheel (roda de controle de LFO), além de interruptores liga/desliga de glide (portamento) e release.
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    Com muito pesar li ontem a notícia de que a Moog Music Inc. encerrará a produção do minimoog voyager, após treze anos do início e mais de 14 mil unidades vendidas.

    • OSCILLATORS (VCO)
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    O minimoog voyager é sintetizador que adota o sistema de síntese sonora subtrativa, e, assim, a rota básica de geração do som é o seguinte:

    OSCILADOR (VCO) - FILTRO (VCF) - AMPLIFICAÇÃO (VCA)

    Nestas fases podem atuar o LFO (Low Frequency Oscillator), ou oscilador de baixa frequência; bem como o EG (Envelope Generator), ou gerador de envoltória.

    Os osciladores de tensão controlada - VCO (Voltage Controlled Oscillators) -, são as principais fontes sonoras audíveis do minimoog voyager, que conta ainda com possibilidade de fonte por conexão externa, e fonte de ruído.

    O voyager está equipado com circuito de regulação de temperatura, que proporciona estabilidade de afinação. Trata-se de uma excelente inovação em relação aos minimoogs modelo D. Não raras as vezes, podia-se verificar tecladistas afinando o minimoog D durante suas performances, e, para isto, o fabricante já disponibilizava no painel do instrumentos frequencia contínua de 440Hz, com conexão para fones de ouvido. Interessante notar que o terceiro oscilador pode ser definido como segundo LFO (Low Frequency Oscillator), isto é, oscilador de baixa frequência.

    O Voyager contém três osciladores de sons audíveis, que geram as ondas sonoras (waves), e suas componetes harmônicas, as quais, podem ser de diversos formatos, basicamente: dente de serra, quadrada & retangular, e triangular. Adiante explicarei melhor cada uma delas.

    Subseções:

    - Frequency

    O minimoog voyager apresenta sistema de microafinação, isto é, possibilidade de afinação entre semitons (comas).

    As frequências dizem respeito às afinações dos osciladores 2 e 3, diversamente do oscilador 1, e a razão é que este se destina a servir de referência aos outros dois.

    Uma freqüência de áudio ou frequência audível é um periódico de vibração cuja freqüência é audível para o ser humano médio. A unidade (sistema internacional) da freqüência de áudio é o Hertz (Hz). O intervalo padrão de freqüências audíveis é de 20 a 20.000 Hz, embora a gama de frequências para cada indivíduo varie, podendo ser influenciada inclusive por fatores ambientais. Freqüências abaixo de 20 Hz (infrasons) são geralmente sentiu mais do que ouviu, assumindo a amplitude da vibração é grande o suficiente. Freqüências acima de 20.000 Hz (ultrasons) às vezes pode ser sentida pelas pessoas mais jovens. Existem animais (toupeira e elefante, por exemplo) que são capazes de captar infrasons, conseguindo ouvir as ondas dos tremores de terra (poucos Hz). Da mesma forma, designamos ultrasons aos sons inaudíveis por terem frequência superior a 20000 Hz. Um cão ou um gato ouvem até aos 40000 Hz e um morcego até aos 160000 Hz.

    No voyager, os controles de frequências podem alterar até o máximo de 7 semitons em relação ao oscilador 1, para o grave ou para o agudo. Isto permite que mais de uma frequência seja utilizada quando uma tecla é pressionada, vale dizer, até 3 frequências (afinações) diferentes. Uma técnica muito comum entre tecladistas consiste em ajustar as frequências dos osciladores 2 (ligeirametne mais para baixo) e 3 (ligeirametne mais para cima) um pouco deslocadas da frequência base do oscilador 1, resultando em uma clássica sonoridade densa, característica de sons analógicos.

    - Octave

    Cada oscilador tem o respectivo interruptor de comando de oitavas (transposição de intervalos) de 6 posições, sistema inspirado no padrão utilizado em órgãos.

    Segue a escala de frequências relacionada para cada tecla (escala temperada), valendo notar que a tecla lá central emite 440.00 Hz:

    A experiência é a seguinte: desligue os osciladores 2 e 3 no Mixer, gire o oscilador 1 e defina o seu nível de oitava, por exemplo, no 8'. Toque uma nota do teclado e, após, gire o oitavador (do oscilador 1) no sentido horário para a posição 4'. Percebe-se que a nota alterou uma oitava para cima.

    - Wave
    • Dente de serra (sawtooth wave): é uma espécie de forma de onda não-senoidal básica. Ela recebeu o nome dente de serra baseado em sua semelhança com a lâmina de uma serra. Uma onda dente de serra representada no domínio do tempo (acima) e no domínio da frequência (abaixo). O som é desarmonioso e limpo, e seu espectro contém ambas as harmônicas normais e estranhas da frequência fundamental. Devido ao fato de ela conter todas as harmônicas inteiras, ela é considerada uma das melhores formas de onda para a construção de outros sons, particularmente cordas, utilizando a síntese subtrativa. Possui harmônicos pares e ímpares.
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    • Quadrada & Retangular (square & rectangle waves): É uma forma de onda básica encontrada frequentemente nas áreas da eletrônica e do processamento de sinais. Uma onda quadrada ideal alterna regularmente e instantaneamente entre os dois níveis, que podem ou não incluir o zero. As ondas quadradas são universalmente encontradas nos circuitos de chaveamento digitais e são naturalmente encontradas em dispositivos lógicos de dois níveis. Elas são utilizadas como referências de tempo em "sinais de clock (relógio)", devido a suas transições rápidas serem aplicáveis para o trigger de circuitos de lógica síncrona em intervalos de tempo precisos. Entretanto, as ondas quadradas contêm uma grande faixa de harmônicas, e estas podem gerar radiação eletromagnética ou pulsos de corrente que podem interferir em circuitos próximos, causando ruídos ou erros. Para evitar este problemas em circuitos muito sensíveis tais como conversores analógico-digitais de precisão, as senóides são utilizadas como referência de tempo ao invés das ondas quadradas. Possui apenas harmônicos ímpares. Em termos musicais, elas são comumente descritas como contendo um som oco, e são utilizadas como base para sons de instrumentos de sopro criados através da síntese subtrativa. A onda retangular é derivada desta.
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    • Triangular (triangle wave):Uma onda triangular é uma espécie básica de forma de onda não-senoidal que recebeu este nome devido ao seu formato semelhante a um triângulo. Uma onda triangular com limite de banda representada no domínio do tempo (acima) e no domínio da frequência (abaixo). Como uma onda quadrada, a onda triangular contém tão somente harmônicas ímpares. Entretanto, as harmônicas superiores se reduzem muito mais rapidamente do que em uma onda quadrada (proporcional aoinverso do quadrado do número hamônico ao invés de apenas ao inverso), e desse modo seu som é mais natural do que o de uma onda quadrada, sendo mais próximo do som da uma onda seno. É possível se aproximar de uma onda triangular utilizando síntese aditiva adicionando-se harmônicas ímpares à fundamental, multiplicando-se cada (4n−1) énsima harmônica por −1 (ou mudando sua fase por ), e inserindo as harmônicas com o inverso do quadrado de sua frequência relativa à frequência fundamental.
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    A onda senoidal (sine wave), por outro lado, não apresenta componentes harmônicos. É uma onda muito utilizada em sínteses sonoras de frequências moduladas (FM), bem como muita utilizadas nos sistemas de LFO, isto é, geradas por osciladres de baixa frequência.

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    Imaginemos então o seguinte cenário:

    (a) onda dente de serra gerada pelo oscilador 1;

    (b) onda quadrada gerada pelo oscilador 2, e;

    (c) onda trinagular gerada pelo oscilador 3.

    Imaginemos também que todos os três osciladores geraram ondas na mesma frequência, por exemplo, 440Hz (nota lá). O resultado será o seguinte: geração de três frequências fundamentais derivadas de cada forma de onda, e, além disso, muitas frequências acessórias derivadas destas (harmônicos).

    Se o timbre desejado não puder contar com algumas componentes harmônicas, como resolver?

    No sistema de síntese subtrativa, os filtros VCF (Voltage Controlled Filter) assumem papel de suma relevância porque são responsáveis justamente pela filtragem das frequências acessórias, ou, em outras palavras, das harmônicas. Na parte II deste post eu abordarei o tema relativo aos filtros do minimoog voyager.

    - 1-2 Sync

    A chave 1-2 SYNC é uma das quatro localizadas na parte inferior.

    Ao posicionar no modo "on" (ligado), ocorrerá sincronia do oscilador 2 com o 1, gerando efeito interessante causado pela redefinição do ponto de partida da forma de onda de um oscilador aa do outro (o efeito é mais visível se o oscilador sincronizado apresenta frequência maior do que o oscilador base), reforçando os harmônicos.

    Este efeito setorna muito mais dramático quando o oscilador 2 está definido em oitava superior.

    - 3-1 FM

    O interruptor 3-1 FM estabelece Frequência Modulada linear (FM) do oscilador 1 pelo oscilador 3.

    Efeitos de modulação de frequência variam de vibrato a trinado.

    - 3 KB Cont

    Este interruptor desativa o controle do oscilador 3 pelo teclado, permitindo, assim, utiliza-lo como fonte de modulação de freqüência.

    - 3 Freq

    Seleciona a faixa de freqüência do oscilador 3.

    Quando o interruptor estiver na posição LO, o oscilador 3 funciona como fonte de subáudio sonoro ou como uma fonte de modulação (LFO), como já adiantado.

    Quando o swicth está na posição HI, o oscilador 3 funciona com a mesma gama de frequências disponíveis nos outros osciladores.
    • MIXER
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    O Mixer combina as principais fontes de som do minimoog voyager.

    Todas as cinco fontes - isto é, 3 osciladores, fonte externa e ruído -, podem ser ligados ou desligados de forma independentes, e seus níveis de volumes podem ser ajustados individualmente.

    A saída de áudio do Mixer é encaminhada para o filtro. No entanto, pode-se acrescentar efeito externo por meio do jack "mixer out / filter in" no painel traseiro, após a saída do Mixer, retornando para o voyager com caminho para os filtros. É um recurso interessante. Se não for utilizada a fonte externa, o mixer recebe o(s) sinal(is) da(s) fonte(s) sonora(s) interna e transfere diretamente ao filtro.

    Uma dica: esta capacidade de emitir o sinal antes do filtro, processá-lo e, em seguida, devolvê-lo para o Voyager funciona bem com pedais moogerfooger, acrescentando poderos efeitos.

    Os controles dos osciladores permitem que cada um possam ser ligados ou desligados, e misturados em qualquer proporção. Quando são regulados em níveis altos, a saída do misturador proporciona suaves saturações (overdrives) à seção dos filtros, e esta foi uma das características importantes do Minimoog original, consagrando sua característica de sonoridade densa ("fat sound").

    Noise

    O controle de ruído é usado para misturá-locom as outras fontes de som. No Voyager, o ruído pode ser "branco" ou "rosa". É útil para sintetizar sons de ondas de oceano, explosões, com emprego do LFO, ou mesmo para a adição de coloração sutil para um som.

    External

    O controle externo permite que uma fonte de áudio externa monofônica para ser encaminhado para o Mixer, onde pode se juntar aos osciladores e à fontes de ruído, por meio de conexão no painel traseiro (jack "external audio in") O LED acima do botão de controle externo começa a iluminar com a utilização do sinal de entrada. Se a luz acende em intensidade fraca, é porque exista pouca quantidade de sinal. Quando o LED se torna brilhante, é porque o sinal está forte.

    Pode-se utilizar a entrada de áudio externo para rotear o som de volta para o próprio voyager. Este é um clássico artifício para se produzir um som mais denso quando o ganho é corretamente configurado no botão respectivo de controle externo.
     
    #2 Cidrack, 8/10/15
    Última edição: 8/10/15
  3. Cidrack

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    Renato Moog

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    Na primeira parte deste post anotei que os osciladores de sons audíveis, que no minimoog voyager são em número de três (o LFO também é um oscilador, mas produz som não audível), os quais produzem ondas sonoras em formas de triângulos, dentes de serra e pulsos (quadradas ou retangulares). Escrevi também que cada forma de onda produz uma frequência fundamental e outras frequências múltiplas ou componentes harmônicas (com exceção da senoidal) as quais podem ser pares, ímpares ou ambas, a depender da forma de onda.

    Se o timbre desejado não puder contar com algumas componentes harmônicas, como resolver?

    Filtramos!
    • FILTERS
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    O filtro é justamente o componente que serve para filtrar (isto mesmo) de diversas formas as frequências indesejadas geradas por cada forma de onda (harmônicos), e assume papel de suma relevância no sistema de síntese subtrativa, tanto, que é comum ouvirmos a seguinte assertiva: "a personalidade de um sintetizador é caracterizada pelo filtro".

    O minimoog voyager não dispõe de analisador de espectro (alguns sintetizadores digitais, ou VSTI's possuem), assim, a filtragem deve ser feita apeans e tão somente por meio da audição, sem, portanto, auxílio visual. Analisador de espectro é instrumento digital ou mesmo eletrônico utilizado para a análise de sinais alternados no domínio da frequência, permitindo enxergar as componentes harmônicas, indicando geralmente a informação contida no sinal de forma direta, como tensão, potência, período e freqüência.

    Os filtros "Lowpass" de quatro polos - "ladder filter" - presentes no minimoog original (modelo D), são os mais emblemáticos de toda a história dos sitntetizadores, paradigamas para outros fabricantes e também fontes de estudos acadêmicos. É conhecido como "ladder filter" porque os componentes eletrônicos estão dispostos geograficamente no circuito em forma que lembra uma escada. Famosa é a história envolvendo a ARP Instruments e a Moog Inc. Diz-se que esta acusou aquela de copiar o seu "ladder filter" de quatro polos. ARP e Moog chegaram a acordo, e aquela primeira se comprometeu a parar de fabricar o filtro, pagand uma quantia à esta última em função das unidades já produzidas, que equipavam o seu modelo Odyssey mark II. Após, a A ARP desenvolveu seu próprio filtro "Lowpass" de quatro polos.

    Esquema do circuito do famoso filtro do minimoog D:

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    Aspecto importante de um filtro é o "Cutoff Slope", isto é, a inclinação de corte, fator que determina a quantidade de atenuação acima da frequência de corte, que é especificada em decibéis por oitava (comumente escrito como "dB/oitava"). No aspecto construtivo, cada um dos pólos de um filtro adiciona 6 dB para a inclinação de corte. Desta forma, um filtro de um pólo só apresenta um declive de corte de 6 dB/oitava; um filtro de 2 pólos tem inclinação de 12 dB/oitava de corte, e assim por diante.

    Os tipos de decaimento mais comuns de filtros são:

    • 6 bB por oitava (primeira ordem ou "1-pole filter");

    • 12 dB por oitva (segunda ordem ou "2-pole filter"), e;

    • 24 dB por oitava (quarta ordem ou "4-pole filter")
    O filtro do Moog clássico é modelo de 4 pólos, de 24 dB/oitava Lowpass.

    Existem filtros de 36 dB/oitava, mas são relativamente raros. Um slope de 6 dB é suave e encontrado principalmente nas mesas de mixagem. Já o filtro de segunda ordem (12 dB/Oct) é mais encontrado em sintetizadores vintages. Os filtros de 4 ordem produzem fortes mudanças no timbre.

    O minimoog modelo D era equipado com um filtro "ladder" de quatro pólos, como visto.

    E o minimoog voyager?

    Está equipado com dois filtros de quatro pólos, cada um com 24 dB/oitava, lowpass e highpass!

    Sim, isto mesmo, dois filtros "ladder filter" de quatro pólos com a arquitetura original clássica, com ressonâncias (resonance), afetados pelos envelopes de filtro e pelos moduladores. Qual a razão para se ter dois filtros? A resposta está na possibilidade de alterar modos de utilização, bem como na possibilidade de controlar espaçamento (Spacing) em stéroe, inovações notáveis.

    O minimoog voyager não gera originariamente onda senóide (waveform sine) por meio de seus três osciladores. Como esta forma de onda não produz componentes harmônicas não teríamos o que filtrar, a não ser a própria frequência fundamental! Não obstante, esta forma de onda é bastante útil na síntese FM (frequência modulada), e pode ser gerado por um quarto oscilador presente no voyager, que gera ondas não audíveis (LFO).

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    Assim como no componente de mixagem, o voyager permite que seja conectado um controle de voltagem (CV) ou pedal de expressão externo para regulagem do cutoff (já explico o que é), no jack "filter". Neste caso, ambos os filtros do voyager serão afetados por esta conexão, independentemente da definição do modo. O efetivo intervalo de entrada é de -5 a +5 V, onde um CV positivo adiciona corte do filtro, e o negativo subtrai. Se um pedal de expressão for ligado neste jack, o corte só poderá ser feito para aumentar a partir da definição do ponto de corte, uma vez que pedais produzem apenas tensão positiva.

    Cutoff

    Trata-se de controle de frequência de corte, que permite determinar o ponto a partir do qual as frequências do sinal de áudio começam a ser rejeitadas. É o principal controle de filtro, porque os demais (spacing, resonance e kb. cont. amount) são dele dependentes.

    Existem dois modos: "Dual Lowpass" e "Highpass/Lowpass".

    No modo "Dual Lowpass", as freqüências à direita do knob são excluídas (altas frequências), e as frequências à esquerda (baixas) são autorizados a passar adiante, a seguir caminho rumo ao VCA (amplificação). É responsável, portanto, por subtrair as frequências altas. Em casos extremos, com o filtro quase 100% fechado, ouvir-se-á apenas as frequências sub-graves. O motivo de ser amplamente usado se dá pelo fato de ser capaz de remover as frequências geradas acima da fundamental sem alternar, no entanto, a frequência fundamental.


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    No modo "Highpass/Lowpass", o controle cutoff altera a freqüência central da banda. Pode-se dizer que sua utilização é mais restrita, porque retira também a frequência fundamental, permitindo a passagem dos harmônicos agudos. É muito útil para criação de efeitos.

    No modo "Bandpass", que é acionado mediante combinação de ambos os modos anteriores, remove-se os extremos das frequências, permitindo geralmente que as frequências médias passem - banda média.

    Enfim, no modo "Dual Lowpass", são dois filtros de 24dB (4 polos) à disposição, mas, porque eles estão em paralelo e não em série, não se pode combiná-los para obtenção de uma resposta de 48dB. Em vez disso, as suas saídas aparecer individualmente nos canais esquerdo e direito. Daí porque o controle de espaçamento ("Spacing") é crucial, permitindo até um máximo de aproximadamente ± 3 oitavas - entre freqüências de corte dos dois filtros. Isto significa que, para um dado conjunto de parâmetros, tem-se dois sinais, um filtrado mais (ou menos) do que o outro, imprimindo caráter de som stéreo, garantindo resultados importantes.

    Spacing

    O controle "Spacing" (espaçamento), um dos meus favoritos, já foi basicamente explicado, isto é, sua utilização é possível porque o minimoog voyager dispõe de dois filtros, permitindo, assim, determinar-se a diferença nos pontos de cortes em ambos, passando-os aos canais direito e esquerdo de saída do áudio. Os números sobre a legenda (-3 a 3) em torno do knob é referente às oitavas. Quando o controle de espaçamento é centrado, as freqüências de corte dos modos são idênticas, exatamente como ocorre no filtro do minimoog clássico modelo D, com 24 dB, pois os filtros foram dispostos em série, e não em paralelo, razão pela qual não é possível somar suas potencialidades.

    Resonance

    O controle de ressonância produz realimentação (feedback), adicionando ênfase harmônica (pico de frequência realimentada) no ponto do corte de freqüência. Este controle afeta os filtros "Lowpass" em ambos os modos, mas não atua no filtro "Highpass".

    Quando o controle de ressonância é posicionado no máximo, os filtros "Lowpass" atuam como controle de tom. À medida que o nível de ressonância aumenta, o filtro começa a formarpico na freqüência de corte, cujo conteúdo harmônicos da gama de frequência é enfatizado.


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    A ressonância cria um pico no ponto de corte (cutoff), enfatizando as frequências próximas. Desta forma, é a quantidade da saída do filtro que é realimentada na entrada no filtro (feedback). No voyager, ao enfatizar a ressonância a partir do grau 8, (girando o knob para a direita), o filtro se transforma em um oscilador (fenomeno denominado "self-oscilation" ou alto-oscilação), produzindo ondas senoidais na mesma frequêncida do ponto de corte, criando interessante artifício.

    No Minimoog clássico, a resonância chama-se "Emphasis".

    Keyboard Control Amount

    Este controle permite que o corte do filtro seja comandado pelas teclas do voyager (ou pelo teclado controlador no Voyager RME). Assim, quanto mais altas as teclas tocadas, mais cortes nos harmônicos agudos. Não costumo utilizar este controle, mas nas poucas oportunidades em que testei ao vivo, pareceu-me interessante principalmente para a emulação de instrumentos de sopro, que possuem notas mais "escuras" nos registros mais altos do que nos mais baixos (Key Following Negativo).

    Portanto, se o kb. cont. amount está desligado, ao utilizar no filtro "Lowpass", a mesma quantidade de harmônicos mais agudos serão retidas em mesma quantidade para os acionamentos das teclas graves e agudas. Diversamente, ao ligar o filtro kb. cont. amount., quanto mais aguda a tecla tocada, maior a frequência de corte, fazendo com que as notas mais agudas continuem com o brilho. Se o parâmetro for negativo, temos o oposto: as notas agudas soarão ainda mais "escuras" em comparação ao modo original de ponto neutro.
     
    #3 Cidrack, 8/10/15
    Última edição: 8/10/15
  4. Cidrack

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    Renato Moog

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    Sons musicais têm começo, meio e fim. Por exemplo, um som de cordas dedilhadas começa com um ataque forte, e, em seguida, desaparece lentamente até silenciar. Em termos de síntese, isto é chamado uma progressão de envelope, ou de envoltória, definindo as mudanças que ocorrem em um som ao longo do tempo. Um envelope pode definir qualquer aspecto de mudança de um som, isto é, volume e timbre, ou mesmo afinação.

    Os circuitos que geram sinais de controle de envelope nos sintetizadores são chamados geradores de envelope (EG's). Os parâmetros que definem este perfil de controle de tensão: Attack, Decay, Sustain e Release.

    Abreviação corrente: ADSR.

    No minimoog clássico não existe o parâmetro Release.

    • ENVELOPES
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    O voyager tem dois circuitos idênticos EG:

    > um dedicado aos filtros (controle de frequência de corte);

    > um dedicado ao amplificador (controle de volume).

    O "amount to filter" ou montante de filtro, situado na parte mais inferior do componente "envelopes", é controle com possibilidades positivas e negativas quanto aos valores. Se a filtragem estiver definida para um valor positivo (dizer '+ 2'), o envelope irá adicionar à definição de controlo de corte. Se, ao contrário, for definido para um valor negativo (digamos '- 2'), o envelope irá subtrair da definição do controlo de corte.

    Os envelopes são acionados por um comando (gate signal), que pode ser do próprio teclado do voyager, ou por fonte externa. Quando for ajustado para keyboard (teclado), os envelopes serão desencadeada via sistema MIDI (note on). Se ajustado para on/external, o envelope será comandado pelas fontes externas programáveis denominadas 'Fil ENV GATE SRC " e "VOL ENV GATE SRC". O padrão para o fontes programáveis é 'ENV GATE INPUT' no modo ON. Neste caso, os envelopes são sustentados ao nível determinado pelo respectivo controle de envelope SUSTAIN, útil para manter o envelope de sustain sem precisar tocar as teclas, quando se necessita processar um sinal de áudio externo.

    No voyager existe um interruptor de "release" inserido no pequeno painel localizado ao lado esquerdo do teclado. No RME, a função é utilizável por dois meios: software (no painel menu de modo); ou por mensagem MIDI, especificamente CC 64 (0-63 = OFF, 64-127 = ON), que, diga-se, também é utilizável para o voyager com teclado. Interessante notar que se o interruptor de controle de release for definido na posição 10 segundos, a liberação dos envelopes não será absolutamente abrupta com o desligamento.

    ADSR


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    • O attcak (ataque) determina o carácter de início do som. Assim, este parâmetro ajusta o tempo de envoltória que se leva para ir de zero a um valor inteiro (em outras palavras, o tempo de fade-in), a partir de 1 ms para 10 segundos. Na seção de amplificação (VCA), ao pressionar uma tecla (keyboard), o som poderá se iniciar com ataque como em um som de piano, ou em um crescendo de um violino com arco.

    • O decaimento (decay) determina o segundo estágio na evolução da envoltória, mediante determinação do tempo definido para que o sinal baixe do nível completo inicial para o nível que se ajusta, e, daí para a frente, a partir de 1 ms para 10 segundos. O envelope permanecerá no nível de sustain (sustentação) enquanto o sinal estiver presente, isto é, enquanto a tecla for mantida pressionada. Sons percutidos que não possuam sustentação podem ser emulados utilizando apenas os estágios de Attack e Decay (por exemplo, som de arpa).
    • A sustentação (sustain) é muito utilizada para emular timbres de metais (synth brass).passa a ser o término da envoltória. Quando o nível de Sustain for zero, o final do estágio do decaimento a tecla estiver pressionada, incidindo após o decaimento (decay).

    • O release (livramento) atua após a tecla deixar de ser pressioanda, e sua regulagem serve para delimitar o tempo que leva para o envelope fixar a transição do nível de sustentação para zero, a partir de 1 ms a 10 segundos. é o que se chama de fade-out após a tecla deixar de ser pressionada.
    Painel Traseiro

    São 3 as conexões externas (jacks): Release; Gate, e; Rate.

    • Release: permite que seja conectado um pedal ou um sinal decontrole de tensão. Pressionando o pedal ou a aplicação de umsinal (+ 5V), permite o funcionamento dos dois geradores deenvelope, independentemente da a definição do interruptorrelease localizado no pianel lateral às teclas. No modo "Dual Lowpass", as freqüências à direita do knob são excluídas (altas frequências), e as frequências à esquerda (baixas) são autorizados a passar adiante, a seguir caminho rumo ao VCA (amplificação). É responsável, portanto, por subtrair as frequências altas. Em casos extremos, com o filtro quase 100% fechado, ouvir-se-á apenas as frequências sub-graves. O motivo de ser amplamente usado se dá pelo fato de ser capaz de remover as frequências geradas acima da fundamental sem alternar, no entanto, a frequência fundamental.

    • Gate: permite que seja conectado um pedal ou um sinal de controlador de tensãode para acionar remotamente os geradores de envelope. Como já abordado, o EG é disparado por esta porta só quando o interruptor ENV GATE está definido para 'ON/EXT'. Se o interruptor ENV Gate é definido como 'KEYB ", qualquer entrada nesta porta será ignorada.

    • Rate: é uma entrada de controle de tensão para comando externo para taxas de tempo envelope, utilizando um CV ou pedal de expressão. O intervalo de entrada eficaz é entre -5V e + 5V, e abrange ambos os envelopes. Se positivo, a tensão aplicada ao conector irá diminuir o ataque, e uma tensão negativa aumentará o ataque.
     
  5. Cidrack

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    MINIMOOG VOYAGER: aspectos analógicos - parte IV - http://www.renatomoog.com/#!MINIMOO...3gicos-parte-IV/c2w6/5612ec590cf2f0ed7a322c80

    Renato Moog

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    O Minimoog clássico era limitado no que se refere à modulação de frequências, pois contava com apenas dois sistemas: como se pode ver na imagem abaixo (painel do minimoog D), especificamente no knob "modulation mix", na divisória "Controllers".

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    Ainda assim, proporcionava excelentes possibilidades neste campo.

    Em contraste, o minimoog Voyager oferece dois barramentos bem mais ricos, e ambos oferecem idênticas possibilidades de modulações controladas:

    As opções:
    • MOD WHEEL, que é a roda de modulação MOD, ao lado do teclado, e;

    • PEDAL/ON, por pedal (CV) conectado ao jack MOD1, no painel de trás.

    • MODULATION BUSSES
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    A modulação de frequências é muito importante no campo da expressividade, possibilitando ao músico implementações notáveis em sua performance, permitindo que crie trêmulos, vibratos e curvas de afinação.

    Quando comecei a estudar síntese sonora, demorei para compreender no que consiste, e, principalmente, a função das ondas modificadores de frequência. Todavia, não tardou para que o considerasse uma das mais importantes funções de um sintetizador.

    A técnica de Modulação de frequência (FM) foi desenvolvida por
    John Chowning no início da década de 1970, e tem ampla aplicação tanto no campo da síntese aditiva como no da síntese subtrativa. Em FM, uma onda principal tem sua frequência modulada, isto é, alterada, por uma onda moduladora. Quando a frequência da moduladora é baixa, isto é, inferior a 20Hz, o efeito é de uma variação da frequência portadora. Quando a frequência da moduladora está na faixa audível, o que ocorre é o surgimento de frequências audíveis laterais (sidebands) .

    No minimoog voyager, são dois barramentos de modulação de frequências:

    • MOD WHEEL, sito é, roda de modulação (localizada no painel esquerdo ao lado das teclas), e;

    • PEDAL/ON: pedal (CV) conectado ao jack MOD1, no painel traseiro do voyager
    Source

    Ambos os barramento de modulação do voyager (MOD. WHEEL e PEDAL/ON) apresentam seis opções de fontes (sources), as quais são equivalentes:

    • Onda LFO triângular;

    • Onda LFO quadrada;

    • Oscilador 3;

    • Sample & hold;

    • On/Mod2V, (jack no painel traseiro), e;

    • Noise/PGM
    O LFO (Low Frequency Oscillator) gera em princípio uma forma de onda com frequência abaixo da capacidade de audição do ser humano, isto pode variar a depender de cada indivíduo, mas em geral, diz-se que não se pode ouvir frequências abaixo de cerca de 20Hz. Em sintetizadores analógicos, portanto, o LFO é usado como modulador de frequências de outras unidades de síntese, como osciladores (VCO), filtros (VCF) e amplificadores (VCA).

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    Uma unidade de síntese LFO possibilita a seleção de frequência e forma de onda utilizadas para modificar as frequências audíveis, isto é, a fundamental e os harmônicos não filtrados. Ao selecionar as formas de ondas triangulares ou quadradas, e ao ligar em um dos três osciladores, a frequência de áudio alternará para cima e para baixo de acordo com a faixa de frequências do LFO, resultando em interessantes efeitos sonoros.

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    Destination

    As possibilidades de destino da modulação:

    • PITCH, afinação de todos os três osciladores, em conjunto;

    • OSC2, apenas o oscilador 2;

    • OSC3, apenas o oscilador 3;

    • FILTER, a freqüência de corte do filtro isto é, o cutoff;

    • WAVE, as formas de onda de todos os três osciladores;

    • LFO/PGM, este é um destino programável. LFO Rate é o padrão. PGM são definidos no modo de edição utilizando as funções do menu "PGM M-WHL DEST" e "PGM PEDAL DEST".
    Shapping

    O controle shaping (formatação) seleciona opções de modulação:

    • FILT ENV: definida pelo envolope de filtro;

    • VELOCITY: definida pela força nas teclas;

    • PRESSURE: definida pelo aftertouch, isto é, após o toque da tecla, quando assume posição mais profunda, após maior pressão. É muito útil porque libera uma das mãos para outras tarefas, sem precisar lançar mão da roda de modulação;

    • ON/PGM: opção de formação programável; ON é o padrão. Estas fontes estão disponíveis no modo de edição como "PGM Shaping 1 SRC" e "PGM Shaping 2 SRC".
    Amount

    O controle de quantidade é utilizado para definir o valor máximo da modulação que é enviado para o destino. Se o controle de quantidade for definido como 0, nenhuma modulação ocorrerá. Quando a quantidade é definida como 10, o valor máximo da modulação é enviado para o destino quando o controlador de desempenho (Mod Whell ou MOD1) é acionado.

    • LFO & FINE TUNE & GLIDE RATE
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    O LFO (Low Frequency Oscillator), como já anotado, gera em princípio uma forma de onda com frequência abaixo da capacidade de audição do ser humano, isto pode variar a depender de cada indivíduo, mas em geral, diz-se que não se pode ouvir frequências abaixo de cerca de 20Hz. Em sintetizadores analógicos, portanto, o LFO é usado como modulador de frequências de outras unidades de síntese, como osciladores (VCO), filtros (VCF) e amplificadores (VCA).

    O LFO é, portanto, um oscilador, mas a frequência que produz é inaudível para o ouvido humano, no caso, trata-se de infrasom. Porém, ele pode servir para modular diversos parâmetros de uma forma que o envelope não é capaz, como por exemplo abrir e fechar o filtro 18 vezes por segundo (um LFO com um rate de 18Hz). Existem várias formas de onda no LFO e elas podem mudar drasticamente o timbre de um som. As mais comuns são senoide, dente de serra, triangular, quadrada e sample & hold (randômico). É por meio do LFO que é possível criar efeito de vibrato (LFO modulando o pitch) ou trêmolo (LFO modulando o volume).

    A implementação do circuito LFO segue os mesmos princípios descritos anteriormente sobre os osciladores principais. A quantidade de modulação em geral aplicada pelo LFO é ajustada, de um modo geral, por um controle específico denominado "modulation whell", como no caso do voyager e por exemplo do Prophet V (comando de potenciômetro), enquanto em outros sintetizadores, como o EMS, a modulação é controlada por um bastão de joystick.

    O LFO pode modificar não só as frequências dos três osciladores principais, como também o sinal provindo do gerador de ruído (noise generator). Quando o LFO modula o gerador de ruído, pode produzir uma série de efeitos peculiares como sons de motocicleta, máquinas, helicóptero e outros.

    Circuito eletrônico do minimoog voyager:

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    Rate

    O LFO do voyager produz ondas triangulares e quadradas, como já visto, e oscilam entre 0,2Hz e 50Hz, que podem ser selecionados como fontes de modulação em ambos os barramentos de modulações (MODULATION BUSSES).

    LFO Sync

    O controle LFO SYNC seleciona quatro modos:

    • OFF/SYNC: permite que o LFO incida livremente;

    • MIDI: permite a divisão do sinal de relógio MIDI, configurado no EDIT na função do modo "MIDI CLK Divider";

    • KB (keyboard): permite que o LFO seja reativado quando uma mensagem MIDI "Note On" é recebida;

    • ENV. GATE: permite entrada pelo ENV GATE para reiniciar o LFO.
    Fine tune

    Este controle é usado para afinação geral do voyager, permitindo ajustes de até 2 semitons para cima e para baixo, de tal sorte a possibilitar compatibilidade de afinação com outros instrumentos.

    Glide rate

    Glide ou portamento adiciona efeito de glissando entre as notas, isto é, liga uma nota à outra por meio das frequências intermediárias.

    O controle ajusta a taxa a ser aplicada, que pode variar de muito rápido a muito lento. Pode ser ligado ou desligado através do controle localizado ao lado do teclado ou no menu do modo PAINEL da RME.

    • OUTPUT
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    O voyager está equipado com duas saídas de áudio.

    Existem dois amplificadores (VCA's), um para cada saída, que permitem, assim, a utilização do sistema estéreo de som.

    O minimoog clássico não tem efeito estéreo.

    O knob MASTER VOLUME é o controle de volume geral.

    O knob HEADPHONE VOLUME controla o volume respectivo, cuja conexão para fones de ouvido admite conexão estéreo.

    É muito importante a utilização de dois cabos de saídas (tamanho P10), principalmente porque o voyager tem sistema de ambientação, isto é, dois filtros ladder de 4 pólos em cada canal, e justamente por isto é que um novo controle de filtro foi adicionado por Bob Moog e sua equipe de engenharia, que é o "Spacing".

    Utilizar este parâmetro ao vivo, nos palcos, é realmente um modo de expressão notável, e não raras as vezes eu lanço mão deste artifício, criando um clima sensacional de estéreo. Por exemplo, na parte IX da música "Shine on You Crazy Diamond", quando entra a última sessão de acordes, quando a música começa a atingir seu ápice, eu começo a trabalhar com o "spacing" sincronizando-o com o andamento da música, criando uma atmosfera incrível, que é absurdamente elevada ao máximo com base na linha melódica fantástica de Richard Wright. Como disse no início deste post, na parte I, o minimoog voyager é uma versão atual do minimoog clássico, com a tecnologia de sua era, e, assim, aprender as possibilidades e saber utilizar em proveito da interpretação os artifícios inovadores é sempre uma excelente opção, e, porque não, trazer novas cores à música do Pink Floyd.

    Painel traseiro:

    VOL: é uma entrada de controle de tensão para comando externo da saída de volume. Ambos os VCA's são afetados por esta conexão. O intervalo de entrada eficaz é de 0 a +5 V, assim, 0V = Volume OFF, e + 5V = Volume Total.

    PAN: é uma entrada de controle de tensão para comando externo que permite conexão de pedal de expressão externo ou CV para controlar o panorâmico entre as saídas esquerda e direita do voyager. O intervalo de entrada eficaz é de -5 a +5 V, onde 5V = totalmente à esquerda e + 5V = totalmente à direita. Se um pedal de expressão é ligado, o pedal irá atingir o seu pleno efeito positivo em apenas metade do seu curso útil, uma vez que a conexão admite + 5V. Note também que nã oserá possível deslocar para a esquerda o som com o pedal sem programação de deslocamento adicional, pois o pedal de expressão por tensão não atinge voltagem abaixo de 0 V.
     

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